R$ 8.110,92 por mês: este seria o salário digno para uma família brasileira comer melhor

Para uma família brasileira de quatro pessoas colocar comida de melhor qualidade na mesa e ainda pagar as contas básicas, a renda mensal deveria chegar a R$ 8.110,92. O valor foi calculado pelo Dieese com base nos preços de junho de 2026 e ficou cinco vezes acima do salário mínimo oficial, de R$ 1.621.
O cálculo não trata apenas da compra no mercado. Ele considera o que uma família precisa para viver, incluindo alimentação, moradia, saúde, educação, roupa, higiene, transporte, lazer e Previdência. É uma referência de renda digna para dois adultos e duas crianças, não um salário individual voltado somente para comida.
Mesmo olhando apenas para os alimentos básicos, o peso no bolso já é grande. Em junho, uma pessoa que recebeu o piso nacional gastou 52,02% do salário mínimo líquido para comprar uma cesta básica. Mais da metade do dinheiro disponível foi usada só com itens de alimentação.
A diferença entre as cidades também mexe com a conta. São Paulo teve a cesta mais cara, por R$ 965,47. Depois apareceram Cuiabá, com R$ 937,93, Rio de Janeiro, com R$ 920,94, e Florianópolis, com R$ 918,42. Aracaju registrou o menor valor entre as capitais pesquisadas, de R$ 630,40.
Ter uma renda perto de R$ 8,1 mil não quer dizer encher o carrinho sem olhar o preço. O valor serve para que a família compre arroz, feijão, carnes, leite, frutas, verduras e outros produtos com regularidade, sem cortar gastos de aluguel, remédios ou transporte para garantir as refeições.
Os números mostram como o salário baixo limita a escolha. Quando a maior parte da renda fica no mercado, produtos frescos perdem espaço para opções mais baratas, que rendem mais e duram por mais tempo. A alimentação mata a fome, mas pode ficar repetitiva e com pouca variedade.
Em junho de 2026, o IBGE registrou queda de 0,39% na alimentação dentro de casa. Ainda assim, alguns produtos continuaram subindo, como o feijão-carioca, com alta de 8,31%, e a batata-inglesa, com avanço de 3,57%. Uma baixa em um mês não apaga o aumento acumulado que chegou antes.
Pelo levantamento do Dieese, os R$ 8.110,92 representam uma renda capaz de dar mais folga ao orçamento familiar. Para quem recebe apenas um salário mínimo, a distância é de R$ 6.489,92 por mês, valor que ajuda a explicar por que tanta gente escolhe a comida pelo preço e não pelo que gostaria de levar para casa.
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