O salário cai na conta e some, preços e juros ainda pesam no bolso dos brasileiros

O salário entra na conta, as contas são pagas e sobra pouco. Essa sensação continua fazendo parte da rotina de muitas famílias brasileiras em 2026, mesmo com alguns indicadores econômicos mostrando melhora no emprego e na renda.
O problema é que ganhar mais não significa, automaticamente, conseguir comprar muito mais.
O IPCA, inflação oficial do país, ficou em apenas 0,07% em julho, mas ainda acumulava alta de 4,44% em 12 meses. No ano, os preços já haviam avançado 3,44%. Em julho, por exemplo, o grupo Habitação subiu 0,99%, enquanto Alimentação e bebidas teve queda de 0,67%.
Quando a inflação diminui, isso não quer dizer que arroz, aluguel, luz, remédio ou outros produtos voltaram aos preços de alguns anos atrás. Na maioria das vezes, significa apenas que estão ficando mais caros em um ritmo menor. É aí que muita gente olha para o próprio salário e sente que o dinheiro perdeu força.
Os números do Dieese ajudam a mostrar o tamanho dessa diferença. O salário mínimo nacional está em R$ 1.621, mas o instituto calculou que, em julho, uma família de quatro pessoas precisaria de R$ 7.687,01 por mês para atender despesas previstas na Constituição, como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e vestuário.
O crédito também pesa. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 28,5% em maio, aumentando 1,3 ponto percentual em 12 meses.
E pegar dinheiro emprestado continua caro. Em 5 de agosto, o Banco Central reduziu a Selic para 14% ao ano, taxa ainda elevada e que acaba chegando ao consumidor por meio de financiamentos, empréstimos e outras modalidades de crédito.
Por outro lado, os dados não mostram uma queda generalizada da renda. O desemprego caiu para 5,4% no segundo trimestre de 2026, enquanto o rendimento médio real do trabalho chegou a cerca de R$ 3.738, acima dos R$ 3.635 registrados no mesmo período de 2025.
O comércio também continua vendendo. Em junho, o varejo cresceu 0,5% em relação a maio e ficou 2,9% acima de junho de 2025.
A fotografia da economia brasileira, então, tem uma contradição fácil de perceber na rua: há mais gente trabalhando e a renda real avançou, mas boa parte desse dinheiro continua disputando espaço com aluguel, supermercado, contas da casa, parcelas e juros. É por isso que os indicadores podem melhorar enquanto, dentro de casa, muita gente ainda olha para o carrinho de compras e sente que o salário não rende como gostaria.
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