Brasil precisa de quase 26 mil motoristas de ônibus e empresas correm para contratar até o fim do ano

As empresas de ônibus chegam aos últimos meses de 2026 com um problema que não se resolve apenas abrindo novas vagas: está faltando gente interessada e preparada para assumir o volante.
No transporte rodoviário interestadual, os números dão uma ideia do tamanho dessa falta. Dados apresentados pela Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) apontam que pouco mais de 60 mil motoristas trabalham atualmente no segmento, enquanto a necessidade seria de aproximadamente 86 mil profissionais. A diferença chega perto de 26 mil motoristas.
Isso não quer dizer que 26 mil trabalhadores serão necessariamente contratados até dezembro. Não existe uma projeção nacional oficial determinando esse número de admissões para o restante do ano. O dado mostra quantos profissionais faltariam para atender a necessidade calculada pelas empresas do transporte interestadual.
E o aperto não está só nas viagens entre estados.
Monitoramento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgado em 2026 mostrou vagas abertas para motoristas em 50,6% das empresas pesquisadas no transporte urbano de passageiros. Entre as companhias do transporte rodoviário de passageiros, o índice chegou a 55,6%.
Na prática, mais da metade de parte das empresas pesquisadas está procurando gente para dirigir.
Algumas contratações já mostram essa procura. Em julho, a Gontijo chegou a anunciar 360 vagas para motoristas somente em Minas Gerais. A Águia Branca também abriu mais de uma centena de oportunidades para condutores em diferentes estados.
O problema é encontrar novos profissionais na mesma velocidade em que os mais antigos deixam a atividade. A categoria enfrenta envelhecimento, enquanto trabalhadores mais jovens encontram outras formas de ganhar dinheiro dirigindo, inclusive aplicativos, com maior liberdade para escolher horários.
A rotina do ônibus também pesa. Trânsito, cobrança por horário, responsabilidade por dezenas de passageiros, trabalho em fins de semana e feriados e exigência de habilitação adequada acabam afastando parte dos candidatos.
No transporte urbano, a própria Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) afirma que mais da metade das operadoras já encontra dificuldade para contratar motoristas.
Com um déficit próximo de 26 mil profissionais somente no segmento interestadual e vagas também abertas nas cidades, o mercado deve continuar contratando até o fim de 2026. O número efetivamente admitido, porém, dependerá de quantos candidatos qualificados as empresas conseguirem encontrar.
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