Áudio atribuído a Vorcaro cita R$ 30 milhões para filme de Lula, mas PF diz que faltam provas
Um áudio atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro colocou o Banco Master novamente no meio da disputa eleitoral. Na gravação divulgada pela revista Veja, ele teria relatado um pagamento de cerca de R$ 30 milhões em dinheiro para despesas ligadas a um documentário sobre o presidente Lula.
Segundo a reportagem, o valor teria relação com negociações envolvendo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto. A Veja afirma que Vorcaro teria apresentado relatos sobre o assunto durante tentativas de fechar uma colaboração premiada.
O ponto que ainda pesa sobre a denúncia é a falta de provas apresentadas pelas autoridades. A Polícia Federal informou que recusou propostas de delação de Vorcaro por falta de elementos mínimos que confirmassem suas declarações. A corporação também negou ter recebido um depoimento formal dele sobre o suposto pagamento para o filme.
A Procuradoria-Geral da República também afirmou que Vorcaro não prestou depoimento oral durante as negociações. Segundo a PGR, as conversas foram feitas por meio dos advogados do ex-banqueiro e uma proposta de colaboração acabou rejeitada em junho.
A origem da gravação também virou assunto. Pessoas próximas a Vorcaro disseram à CNN que a voz seria realmente dele, mas afirmaram que o áudio não fez parte de um depoimento formal e não souberam informar exatamente quando ou em quais condições ele foi gravado.
Já a defesa de Vorcaro divulgou nota dizendo que não confirma o conteúdo nem reconhece a autenticidade e a integridade dos materiais divulgados pela revista. Lula negou ter solicitado ou recebido qualquer vantagem financeira ligada ao ex-banqueiro. Alexandre Padilha, também citado na reportagem, negou envolvimento e pediu providências sobre a gravação.
O assunto chegou diretamente à campanha presidencial. Flávio Bolsonaro afirmou que o áudio indicaria pagamento de propina, enquanto a campanha de Lula classificou as acusações como sem comprovação e afirmou que tomará medidas judiciais. A Advocacia-Geral da União também anunciou que buscará direito de resposta e retificação da reportagem.
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