Empresas de ônibus reclamam da falta de motoristas, mas não dão oportunidade para quem está começando
Empresas de ônibus de várias regiões do Brasil reclamam da falta de motoristas, mas quem tenta entrar na profissão encontra dificuldades para conseguir a primeira oportunidade. Em muitas seleções, a experiência anterior acaba pesando mais que a formação do candidato.
O problema atinge profissionais que já possuem CNH categoria D ou E e curso de transporte coletivo, mas não conseguem uma vaga porque nunca trabalharam dirigindo ônibus. Algumas empresas exigem anos de experiência comprovada, deixando de fora quem está tentando começar.
Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), apresentados em setembro de 2026, mostram que 84% dos entrevistados no transporte interestadual apontaram falta de motoristas. No transporte urbano, mais de 53% das empresas pesquisadas também relataram carência desses profissionais.
A situação cria uma contradição. As viações precisam contratar, mas parte delas não oferece a oportunidade necessária para que novos condutores adquiram experiência. Enquanto isso, profissionais mais antigos estão se aposentando ou deixando a atividade, dificultando a renovação da categoria.
A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) estima um déficit de aproximadamente 30% de motoristas no transporte interestadual. Algumas empresas chegam a incentivar profissionais aposentados a continuar trabalhando para ajudar a preencher as escalas.
A exigência de experiência também foi discutida por representantes do SEST SENAT durante um evento do setor em setembro. A entidade defendeu maior abertura das empresas para contratar profissionais recém-formados, acompanhada de treinamento adequado.
Algumas viações já adotam esse caminho. A Suzantur, por exemplo, desenvolveu um programa de formação em parceria com o SEST SENAT para preparar motoristas habilitados que ainda não conseguiram emprego por falta de experiência.
Comentários
0