
Produtor rural produzindo. Foto: reprodução
Quem vive do campo sabe que uma safra ruim não costuma chegar sozinha. Quando o preço cai, o custo sobe ou o clima não ajuda, a conta começa a apertar rapidamente.
Foi justamente esse cenário que apareceu nos números divulgados pela Serasa Experian. O agronegócio brasileiro terminou 2025 com inadimplência de 8,2%, o maior índice registrado pela série histórica do levantamento.
O dado mostra que cada vez mais produtores estão encontrando dificuldades para manter financiamentos, empréstimos e outras obrigações financeiras em dia.
O aumento não aconteceu de uma vez. Ao longo de 2025, os números foram subindo trimestre após trimestre. No final de 2024, a taxa era de 7,2%. Um ano depois, chegou aos 8,2%, mostrando que muitos produtores passaram meses enfrentando dificuldades para equilibrar as contas.
Para quem está fora da atividade rural, pode parecer uma diferença pequena. No campo, porém, a situação é bem diferente.
Uma lavoura exige investimento antes mesmo da primeira colheita. Fertilizantes, sementes, defensivos, combustível, manutenção de máquinas e pagamento de funcionários fazem parte de uma lista longa de despesas que precisam ser pagas muito antes da venda da produção.
Em várias regiões do país, a receita não acompanhou esse aumento dos custos.
Muitos produtores venderam parte da safra por valores menores do que esperavam. Em outros casos, problemas climáticos reduziram a produtividade e diminuíram o faturamento. Quando isso acontece, sobra menos dinheiro para cumprir os compromissos financeiros.
Os grandes produtores também apareceram entre os mais afetados.
Ao contrário do que muita gente imagina, a inadimplência não ficou concentrada apenas nas pequenas propriedades. Os números mostram que médios e grandes produtores também enfrentaram dificuldades ao longo do último ano.
Outro problema é o crédito.
Com o aumento do risco, bancos e instituições financeiras ficaram mais cautelosos na hora de liberar recursos. Conseguir novos financiamentos ou renegociar contratos passou a ser mais difícil para parte do setor.
E quando o agro sente o impacto, outros segmentos acabam sendo afetados junto.
O transporte rodoviário é um dos primeiros a perceber esse movimento. Menos investimentos no campo podem significar menor movimentação de máquinas, fertilizantes, implementos e até algumas cargas agrícolas.
Para muitos caminhoneiros, principalmente os que dependem do agronegócio, qualquer desaceleração gera preocupação.
Basta lembrar que boa parte da produção brasileira viaja pelas rodovias. Quando o produtor aperta os gastos, toda a cadeia sente os reflexos.
Mesmo com o cenário de alerta, especialistas destacam que o agronegócio continua sendo uma das principais forças da economia brasileira. O problema é que a margem de segurança ficou menor.
Hoje, muitos produtores trabalham praticamente no limite. Qualquer aumento de custo, atraso na colheita ou queda de preço pode fazer diferença no fechamento das contas.
Os próximos meses serão decisivos para mostrar se o setor conseguirá reduzir esse índice ou se a inadimplência continuará avançando em 2026.
Redação: Brasil do Trecho Fontes: Serasa Experian, G1 Economia, Reuters.
Esta publicação foi modificada pela última vez em 3 de junho de 2026 10:43
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