Boi gordo perde força e trava disputa por preço no campo

O mercado do boi gordo começou a semana com menos ritmo e disputa forte entre pecuaristas e frigoríficos. Em algumas praças, a arroba perdeu força porque compradores reduziram as ofertas, enquanto vendedores evitaram fechar negócio nos valores mais baixos.
Em Goiânia, a pressão foi mais visível. A arroba teve recuo entre R$ 5 e R$ 10 em parte das negociações, reflexo de um mercado com pouca fluidez e compradores testando preços menores. A baixa não significa uma virada geral no setor, mas mostra que a indústria está mais seletiva na hora de comprar animais para abate.
Em São Paulo, o cenário ficou mais estável, embora com pouca movimentação. A arroba girou na faixa de R$ 340 a R$ 345, com alguns negócios pontuais acima disso. As escalas de abate seguem próximas de uma semana, o que dá algum conforto aos frigoríficos e reduz a pressa por novas compras.
No norte de Minas Gerais, a arroba ficou entre R$ 315 e R$ 320. A oferta e a demanda seguem mais curtas, com frigoríficos controlando estoques e evitando alongar compras em um momento de consumo doméstico menos aquecido.
O ponto central do mercado agora está na queda de braço. O pecuarista tenta segurar o boi terminado para não vender abaixo da referência esperada, enquanto a indústria trabalha com cautela por causa da saída mais lenta da carne no mercado interno. Com isso, os negócios acabam ficando limitados a pequenos lotes.
As exportações seguem ajudando a dar suporte ao setor. O Brasil embarcou 297 mil toneladas de carne bovina em maio, volume acima do registrado no mesmo mês do ano passado. A China continua como destino importante, mas o mercado também observa com atenção os efeitos das cotas e tarifas sobre os embarques ao longo de 2026.
Mesmo com pressão em algumas regiões, a oferta de animais prontos para abate ainda não aparece folgada em todo o país. Essa combinação entre venda travada no campo, compra mais cautelosa dos frigoríficos e exportação forte mantém a arroba sem direção única.
Para os próximos dias, o mercado deve seguir regionalizado. Praças com escalas mais confortáveis podem sentir novas tentativas de queda, enquanto regiões com oferta mais curta tendem a segurar melhor os preços.
