Caminhão 4×4 automático surgiu em 1970 e sumiu dois anos depois

O International Harvester Unistar chegou ao mercado norte-americano em 1970 com uma solução incomum para caminhões pesados. Baseado no conhecido Transtar, o modelo CO-7044A tinha tração dianteira acionada automaticamente por um sistema totalmente mecânico, desenvolvido para aumentar a aderência em neve, gelo, lama e trechos de baixa tração.
Na condução normal, o Unistar trabalhava como um caminhão 4×2. Uma segunda linha de transmissão girava cerca de 3% mais devagar e mantinha a tração dianteira desligada. Quando as rodas traseiras começavam a patinar, a diferença de rotação diminuía e uma embreagem de roda livre enviava força ao eixo dianteiro.
Assim, o conjunto passava a operar como 4×4 sem botão, alavanca, computador ou ação do motorista. Quando a aderência voltava ao normal, o eixo dianteiro era desconectado novamente. O funcionamento automático já era oferecido décadas antes da popularização dos controles eletrônicos de tração.
A International Harvester também oferecia o Jifflox Converter Dolly, um eixo auxiliar removível que podia ser acoplado atrás do cavalo mecânico. Com ele, o caminhão ganhava um terceiro eixo e podia trabalhar em configuração 6×4, distribuindo melhor o peso e ampliando as possibilidades de combinação com semirreboques, duplos e triplos.
A capacidade do projeto foi demonstrada em Berthoud Pass, perto de Denver, no Colorado. Representantes de 53 grandes frotas acompanharam testes realizados em uma passagem de montanha coberta por aproximadamente 30 centímetros de neve.
O Unistar conseguiu subir rebocando dois implementos sem usar correntes, enquanto um Transtar convencional precisou delas para vencer a mesma combinação. O modelo tinha peso bruto combinado anunciado de até 130 mil libras, valor próximo de 59 toneladas.
O desempenho impressionou, mas não virou sucesso comercial. O modelo permaneceu em produção somente até 1972. A fabricante não deixou uma explicação oficial detalhada para a retirada, e os números de produção são difíceis de localizar em registros públicos.
O sistema 4×4 acrescentava peso, peças, custo de compra e manutenção a um caminhão que passaria a maior parte do tempo no asfalto seco. Esse peso também podia reduzir a carga útil disponível, ponto importante em operações calculadas por tonelada transportada.
Para muitas frotas, pagar diariamente por uma tecnologia usada principalmente em dias de neve forte ou terrenos complicados não compensava. O eixo removível Jifflox teve destino diferente e continuou sendo oferecido para versões do Transtar depois que o Unistar saiu de linha.
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