Europa contrata brasileiros com bom salário em meio à falta de caminhoneiros no Brasil
Caminhoneiros brasileiros buscam trabalho no exterior para melhorar a renda e encontrar mais reconhecimento pela profissão. Relatos de quem decidiu sair incluem fretes pouco rentáveis, despesas com o caminhão e medo da violência. Na Europa, transportadoras procuram profissionais no Brasil para preencher postos sem motorista.
A insatisfação aparece no relato de Alberto Diogo Giusti, publicado pela Revista Caminhoneiro em novembro de 2018. Com mais de 40 anos de experiência, ele contou, à época, que sua renda mensal havia caído de cerca de R$ 4 mil para R$ 2 mil. Portugal entrou nos planos como alternativa para continuar trabalhando.
Na mesma reportagem, Cássio Paulo Dalfior citou a violência nas rotas e a dificuldade de pagar consertos. Ele também escolheu Portugal e relatou ter conseguido uma carteira profissional portuguesa. Os depoimentos mostram que a busca por outro país já existia antes dos anúncios recentes de recrutamento.
Em 2026, a Girteka, transportadora sediada na Lituânia, já havia recebido seus primeiros caminhoneiros brasileiros. Conforme reportagem do Brasil do Trecho, pelo menos cinco profissionais chegaram à empresa e passaram por treinamento antes de assumir operações na Europa. Na Polônia, a Logistic-Evex mantém uma página em português para recrutar brasileiros.
A agência M/Brazil informou ao portal ter acordos com 17 transportadoras europeias e uma demanda projetada de mais de 2 mil contratações de brasileiros em 2026. Esse número representa uma expectativa das empresas. Não é uma contagem de caminhoneiros que já deixaram o Brasil nem comprova, sozinho, o crescimento da emigração.
Há falta de profissionais também no destino. A União Internacional dos Transportes Rodoviários, conhecida pela sigla IRU, registrou cerca de 502 mil postos de caminhoneiro sem preenchimento na Europa em 2025. Os dados foram divulgados em junho de 2026. A entidade relaciona o problema ao envelhecimento dos motoristas e às dificuldades para atrair novos trabalhadores.
O Brasil também enfrenta dificuldade de contratação. Em publicação de agosto de 2026, a IRU apontou uma falta de motoristas equivalente a 11% dos postos no mercado pesquisado. Danilo Guedes, da NTC&Logística, citou formação, reconhecimento profissional e entrada de jovens entre os problemas do setor.
Para trabalhar fora, a experiência ao volante precisa vir acompanhada da documentação aceita no destino. A IRU informa que o reconhecimento da habilitação, a formação profissional e os procedimentos para visto e autorização de trabalho estão entre as barreiras enfrentadas por candidatos estrangeiros. Dependendo do país, o motorista precisa fazer novos cursos antes de começar.
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