
Foto: Reprodução / Natura/Divulgação
Copersucar quer trocar caminhões a diesel por modelos movidos a biometano, e isso pode mexer com transportadoras, montadoras e caminhoneiros que vivem da estrada.
O diesel ainda é o combustível mais usado pelos caminhões no Brasil, mas o biometano começa a ganhar espaço. A Copersucar quer trocar parte da frota usada em suas operações por caminhões movidos a biometano. A ideia envolve substituir, aos poucos, cerca de 500 caminhões a diesel.
Dessa maneira, isso mostra que o assunto deixou de ser só promessa. O biometano já está entrando na conversa das grandes transportadoras, das montadoras e de quem trabalha com carga pesada todos os dias.
Para o caminhoneiro, o que pesa é a realidade da estrada. O caminhão precisa rodar bem, gastar menos e não virar dor de cabeça na hora de abastecer ou fazer manutenção.
Quem roda sabe que o diesel pesa demais na conta. Às vezes o frete até parece bom, mas quando coloca combustível, pedágio, manutenção, pneu e alimentação na ponta do lápis, sobra bem menos do que muita gente imagina.
O biometano começa a chamar atenção. Segundo a Copersucar, o custo operacional dos caminhões abastecidos com biometano pode ser de 20% a 25% menor do que o dos caminhões a diesel.
Para uma empresa grande, com rota certa e abastecimento planejado, essa economia pode fazer diferença. O caminhão sai, carrega, descarrega e volta para o mesmo corredor de operação. Fica mais fácil controlar tudo.
Mas para o caminhoneiro autônomo, a realidade é mais dura. Ele pega frete onde aparece, muda de rota, roda para longe e nem sempre sabe onde vai carregar na volta. Nesse caso, não adianta o combustível ser mais barato se não tiver ponto de abastecimento no caminho.
Com empresas grandes testando caminhões a biometano, as montadoras também entram na disputa. A Scania já aparece forte nesse tipo de operação, principalmente em caminhões pesados a gás. Outras marcas e empresas também estudam soluções para esse mercado, inclusive com adaptação de caminhões a diesel para uso com biometano.
Essa disputa pode ser boa para o transporte, porque força as marcas a melhorarem preço, tecnologia, assistência e pós-venda. Só que caminhão não se prova no discurso. Tem que aguentar o peso da estrada brasileira.
O motorista precisa de força, peça disponível, oficina preparada e segurança para não ficar parado. Caminhão parado significa frete atrasado, cliente cobrando e dinheiro indo embora.
O ponto mais sensível do caminhão a biometano é o abastecimento. No diesel, o caminhoneiro encontra posto em praticamente qualquer rota. Já no biometano, a estrutura ainda precisa crescer muito.
Para uma transportadora grande, isso pode ser resolvido com posto próprio, contrato de fornecimento ou rota fechada. Para o autônomo, não é tão simples. A vida na estrada já tem problema demais para o combustível virar mais uma preocupação.
Tem fila para carregar, espera para descarregar, prazo apertado, trecho ruim, pedágio caro e risco de imprevisto. Se o abastecimento não for fácil, a troca do diesel pelo biometano fica limitada às grandes operações.
O biometano é visto como uma opção mais limpa que o diesel. Ele pode ajudar a reduzir emissões e aproveitar resíduos que seriam descartados. Para empresas que querem mostrar uma operação mais sustentável, isso pesa bastante.
Mas para quem está na boleia, o principal ainda é a conta fechar. Caminhão é ferramenta de trabalho. Não adianta falar em tecnologia nova se a manutenção for cara, se faltar oficina ou se o caminhão perder valor na revenda.
O caminhoneiro precisa de economia real. Precisa carregar, entregar, receber o frete e voltar com dinheiro no bolso.
O avanço do biometano, o diesel não deve sair das estradas tão cedo. Ele tem rede de abastecimento, oficina, peça, mecânico acostumado e caminhão rodando em todos os cantos do país.
O biometano deve crescer primeiro nas operações de grandes empresas, principalmente onde existe rota fixa e controle maior do abastecimento. É nesses casos que a economia aparece mais rápido e o risco é menor.
Para o caminhoneiro autônomo, a mudança deve demorar mais. Antes de trocar, ele precisa ver a tecnologia funcionando, com suporte, abastecimento e custo que realmente compense.
O plano da Copersucar mostra que o biometano está entrando de vez no radar do transporte pesado. Isso pode mexer com o mercado, com as montadoras e com a forma como algumas empresas fazem frete.
Na estrada, a tecnologia só ganha confiança quando prova serviço. Se o caminhão economiza, abastece fácil e não deixa o motorista na mão, ele ganha espaço. Se virar dor de cabeça, o diesel continua mandando.
No fim, o caminhoneiro precisa de um caminhão que trabalhe bem, custe menos para rodar e não pare no meio da viagem.
Esta publicação foi modificada pela última vez em 13 de maio de 2026 20:04
O preço do boi gordo chegou ao maior nível já registrado desde o início da série histórica, em 1997. A…
Uma decisão da Justiça do Trabalho colocou a transportadora Comando Diesel Transporte e Logística, de Rondonópolis (MT), no centro de…
Durante décadas, muita gente sonhava em viajar pelo Brasil sentado na boleia de um caminhão. Era comum ver filhos acompanhando…
Quem vive do campo sabe que uma safra ruim não costuma chegar sozinha. Quando o preço cai, o custo sobe…
Enquanto muita gente enxerga apenas o caminhão cruzando a rodovia, existe uma realidade que fica longe dos olhos de quem…
A Petrobras reduziu o preço do diesel vendido às distribuidoras e a mudança já passou a valer nesta semana. O…
Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdos, analisar acessos e exibir anúncios relevantes. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Cookies e Política de Privacidade do Brasil do Trecho
Leia mais
Deixe seu comentário