Caminhoneiro

Falta de caminhoneiros faz profissão perder mais gente do que ganhar novos motoristas

A falta de caminhoneiros profissionais virou um dos maiores problemas do transporte rodoviário no Brasil. Enquanto muitos motoristas deixam a profissão, poucas pessoas demonstram interesse em começar no setor, criando um cenário que já preocupa transportadoras, montadoras e empresas de logística.

Hoje, muitas empresas afirmam que possuem caminhões parados por falta de motorista qualificado. Ao mesmo tempo em que reclamam da dificuldade para contratar, parte das transportadoras continua exigindo experiência elevada para determinados tipos de carga e operação.

Isso acaba fechando portas para motoristas iniciantes que acabaram de tirar categoria C, D ou E. Muitos profissionais com pouca experiência relatam dificuldade para conseguir a primeira oportunidade, já que diversas empresas evitam criar programas de treinamento ou “escolinhas” para formação de novos condutores.

O receio das empresas também existe. Contratar um motorista sem experiência pode aumentar o risco de acidentes, prejuízos mecânicos, danos na carga e problemas operacionais. Com isso, várias transportadoras preferem buscar profissionais mais antigos, mesmo enfrentando escassez no mercado.

Outro fator que pesa é o envelhecimento da categoria. A idade média dos caminhoneiros brasileiros já ultrapassa os 45 anos, enquanto a entrada de jovens segue muito baixa. Dados recentes mostram que menos de 10% dos motoristas possuem menos de 30 anos.

Caminhoneiro com mais de 80 anos ainda dirigi seu caminhão. Foto: reprodução

O número de aposentadorias, problemas de saúde e mortes em acidentes também reduz o quadro de profissionais ativos. O setor vive uma situação onde muitos motoristas deixam o trecho, mas poucos entram para substituir essa mão de obra.

Segundo levantamentos internacionais da IRU, entidade mundial do transporte rodoviário, o déficit global de motoristas pode dobrar até 2028 caso o setor não consiga atrair novos profissionais.

Algumas empresas relatam dificuldade para expandir operações porque faltam condutores disponíveis. Há casos de caminhões novos ficando parados em pátios aguardando contratação de motoristas.

Outro impacto aparece no valor do frete. Com menos profissionais disponíveis, o custo operacional tende a subir, principalmente em operações mais técnicas, cargas perigosas e viagens longas.

O setor também enfrenta concorrência de aplicativos de entrega e outras profissões consideradas menos desgastantes. Muitos jovens acabam preferindo trabalhar com veículos leves, aplicativos urbanos ou empregos locais em vez de passar dias longe de casa dirigindo caminhão.

Esta publicação foi modificada pela última vez em 21 de maio de 2026 09:27

João Neto

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.

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