Chevrolet D-60 virou lenda e pode ter sido o melhor caminhão da marca no Brasil

O Chevrolet D-60 ainda aparece trabalhando em pequenas cidades, depósitos, obras e propriedades rurais, mesmo décadas depois de ter chegado ao mercado. Para muita gente, ele foi um dos caminhões mais marcantes já vendidos pela Chevrolet no Brasil.
O modelo surgiu em 1965 e teve um papel importante na história da montadora: foi o primeiro Chevrolet brasileiro equipado de fábrica com motor diesel. Até então, boa parte dos caminhões da marca usava motores a gasolina.
Debaixo do capô estava um Perkins de seis cilindros. Registros da época apontam versões na faixa de 130 a 140 cavalos, dependendo da especificação considerada. O diesel ajudava principalmente no consumo e tornou o caminhão interessante para quem precisava rodar carregado todos os dias.
O D-60 ganhou espaço em serviços urbanos e de carga. Era comum encontrar o Chevrolet transportando areia, cimento, madeira e outros materiais. A mecânica relativamente simples também ajudava, já que oficinas conheciam bem o conjunto Perkins e havia mercado de peças.
Quem conviveu com os primeiros modelos também lembra de uma característica curiosa: a dificuldade para pegar em dias frios. Os antigos motores Perkins de injeção indireta ficaram conhecidos por isso, e alguns motoristas chegavam a aquecer a região do coletor de admissão para ajudar na partida. Depois, sistemas de pré-aquecimento passaram a facilitar o serviço.
Na época, um dos rivais era o Ford F-600. A disputa ajudou a acelerar a mudança dos caminhões brasileiros da gasolina para o diesel. Em 1961, apenas 27% dos veículos comerciais brasileiros utilizavam diesel; em meados de 1967, esse número já chegava a 57%.
A Chevrolet ainda tentou ampliar sua presença no segmento com outros motores e modelos. Na década de 1970, a Detroit Diesel passou a fabricar motores no Brasil, e algumas versões do próprio D-60 chegaram a receber essa mecânica.
Mesmo com todas as mudanças que vieram depois, o D-60 acabou ficando como um dos nomes mais conhecidos daquela fase da Chevrolet. Simples, resistente e fácil de reconhecer, virou parte da memória de quem trabalhou com transporte de carga no Brasil.
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