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Ônibus

Salário perto de R$ 3 mil e rotina pesada afastam motoristas de ônibus da profissão

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Salário perto de R$ 3 mil e rotina pesada afastam motoristas de ônibus da profissão
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Empresas de ônibus estão encontrando dificuldade para preencher vagas de motorista em várias partes do Brasil. Ao mesmo tempo em que sobram oportunidades em algumas garagens, profissionais experientes estão deixando a categoria ou buscando outros tipos de trabalho.

Dados atualizados com base no Caged mostram que o salário-base médio de um motorista de ônibus urbano está em R$ 2.969,89 por mês, considerando vínculos CLT registrados entre agosto de 2025 e julho de 2026. A jornada média fica perto de 43 horas semanais. Para motoristas de ônibus rodoviário, a média aparece em R$ 2.910,12.

Os valores mudam bastante de uma região para outra por causa das convenções coletivas. Há acordos registrados no Ministério do Trabalho em 2026 com pisos acima de R$ 3,3 mil e, em alguns locais, próximos de R$ 4 mil.

Só que o salário não é a única conta feita pelo motorista antes de continuar no volante. A rotina inclui trânsito pesado, cobrança por horários, responsabilidade por dezenas de passageiros e escalas que podem dificultar a convivência com a família.

Representantes dos trabalhadores também apontam jornadas cansativas e remuneração considerada baixa diante da responsabilidade da função. Em agosto, a discussão sobre mudanças na escala de trabalho voltou a expor o problema: entidades do setor dizem que já existe falta de motoristas, enquanto representantes dos trabalhadores afirmam que carga horária e salários estão entre os motivos que tornaram a profissão menos atraente.

Outro ponto é a pressão dentro do ônibus. Pesquisa divulgada pela Fundacentro, feita com motoristas de Belo Horizonte, identificou piora nas condições de trabalho após mudanças na operação do transporte coletivo, incluindo o acúmulo de tarefas que antes eram realizadas por cobradores.

Em audiência realizada em Belo Horizonte em junho de 2026, motoristas relataram jornadas excessivas, pouco intervalo entre viagens, atrasos salariais e problemas de manutenção nos veículos. Reclamações semelhantes sobre baixos salários e estrutura precária de descanso já haviam sido apresentadas pela categoria anteriormente.

A violência também pesa. Apenas na Região Metropolitana do Recife, o sindicato da categoria registrou 829 agressões contra motoristas em 2025. Os registros incluem agressões físicas e verbais durante o trabalho.

Com menos gente interessada em entrar na profissão e dificuldade para manter quem já tem experiência, algumas empresas passaram até a criar programas de formação para tentar preencher vagas. Entidades do transporte já falam em déficit de milhares de condutores no país.

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Sobre o autor

Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.