Ônibus

Mais de 50% das empresas de ônibus já sentem falta de motoristas

Ildemar Ribeiro10 de junho de 2026
Mais de 50% das empresas de ônibus já sentem falta de motoristas

A falta de motorista de ônibus virou um dos temas mais delicados para as empresas de transporte no Brasil. O dado que ajuda a medir o tamanho do aperto é forte: 53,4% das viações urbanas e metropolitanas relatam dificuldade para encontrar motoristas capacitados. No transporte intermunicipal, o quadro também pesa, com 66,2% dos empresários apontando a falta desses profissionais como a principal carência do setor.

Não existe, até o momento, um ranking nacional público que diga oficialmente qual estado tem a maior falta de motoristas de ônibus. Mas, quando o assunto é volume, São Paulo aparece como o ponto mais sensível dessa conta. O motivo está no tamanho do sistema. Só a capital paulista opera uma das maiores redes de ônibus do mundo, com mais de 13 mil veículos, mais de 1,3 mil linhas e cerca de 7 milhões de passageiros transportados em um dia útil.

Esse tamanho faz com que qualquer dificuldade de contratação fique mais pesada. Uma empresa pequena pode sentir a falta de um motorista no dia a dia, mas em uma operação gigante, cada vaga aberta mexe com escala, garagem, linha, intervalo e atendimento ao passageiro. Em São Paulo, a demanda é diária, contínua e não para nem de madrugada, já que há linhas noturnas em funcionamento.

A profissão também ficou menos atrativa para parte dos trabalhadores. Jornada pesada, trânsito intenso, pressão por horário, responsabilidade com passageiros e exigência de habilitação específica tornam a reposição mais difícil. Para completar, muitas empresas passaram a investir em formação interna, justamente porque o mercado não entrega profissionais prontos no ritmo necessário.

A falta de motorista não significa apenas ônibus parado na garagem. Ela pode aparecer em intervalos maiores, remanejamento de funcionários, dificuldade para ampliar linhas e mais pressão sobre quem já está trabalhando. No transporte coletivo, o impacto chega rápido ao passageiro, principalmente em cidades grandes, onde milhares de pessoas dependem do ônibus para trabalhar, estudar e resolver compromissos básicos.

Por isso, São Paulo tende a ser o estado mais pressionado em números absolutos. A crise é nacional, mas o tamanho da frota, a quantidade de linhas e o volume diário de passageiros fazem o problema ganhar outra dimensão no maior mercado de ônibus do país.