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Bife vira compra calculada e brasileiro faz manobras para manter proteína no prato

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Bife vira compra calculada e brasileiro faz manobras para manter proteína no prato

O preço da carne bovina está mudando a rotina das famílias brasileiras. O bife, que antes aparecia com frequência no almoço, passou a ser comprado em menor quantidade, dividido em porções menores ou reservado para poucos dias da semana. A dificuldade não está apenas no açougue. Arroz, feijão, leite, pão, legumes e outros itens também disputam espaço dentro de um orçamento apertado.

Dados do Dieese e da Conab mostram que a cesta básica ficou mais cara em 17 das 27 capitais pesquisadas em junho de 2026. Na média, um trabalhador que recebe o salário mínimo precisou comprometer 52,02% da renda líquida somente para adquirir os alimentos básicos. Em São Paulo, a cesta chegou a R$ 965,47 e consumiu 64,39% do salário mínimo líquido.

Embora o IPCA tenha registrado queda de 0,64% nas carnes em junho, o recuo mensal ainda não apagou as altas acumuladas no balcão. No Rio de Janeiro, a carne bovina de primeira subiu 13,12% em 12 meses. Em Porto Velho, o avanço chegou a 13,30%. O resultado aparece no carrinho, com menos quilos e mais pesquisa antes da compra.

Para manter proteína no prato, o consumidor está mudando receitas e aproveitando melhor cada item. Carne moída rende molho, recheio, almôndega e mistura com legumes. Cortes de panela ganham espaço por entregarem mais porções. Frango, ovos, sardinha, feijão, lentilha e ervilha entram no cardápio para reduzir a dependência da carne bovina.

Essa troca não significa uma alimentação sem proteína. O Ministério da Saúde destaca que arroz e feijão se complementam do ponto de vista nutricional. O Guia Alimentar também inclui ovos, peixes, aves e leguminosas entre os alimentos que podem compor refeições variadas. A perda acontece quando a falta de dinheiro reduz ao mesmo tempo a quantidade, a diversidade e a qualidade da comida.

A manobra começa antes de sair de casa. Famílias comparam encartes, acompanham ofertas, compram por quilo, congelam pequenas porções e montam o cardápio com o que está mais barato na semana. Sobras do almoço viram bolinho, sopa, mexido ou recheio no jantar. Talos, folhas e legumes aumentam o volume das preparações sem depender de grandes pedaços de carne.

Nos lares com renda menor, qualquer alta no gás, na energia ou no transporte retira dinheiro da alimentação. Cozinhar mais feijão de uma vez, usar a panela de pressão e organizar refeições para vários dias virou parte da estratégia para manter comida de verdade na mesa.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.