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Ônibus

Salário de R$ 2,9 mil ajuda a explicar debandada de motoristas de ônibus

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Salário de R$ 2,9 mil ajuda a explicar debandada de motoristas de ônibus

A falta de motorista de ônibus já interfere na contratação de empresas urbanas, metropolitanas, de fretamento e de viagens entre cidades. Levantamento divulgado pela Confederação Nacional do Transporte aponta que 53,4% das viações urbanas e metropolitanas enfrentam escassez desses profissionais. O cenário ganhou força enquanto trabalhadores experientes trocam de atividade e a entrada de novos condutores não acompanha a necessidade das operações. A estimativa foi divulgada em maio de 2026.

O salário ajuda a explicar parte desse movimento. Dados do Caged, reunidos pelo Portal Salário entre junho de 2025 e maio de 2026, mostram remuneração média de R$ 2.940,15 para motorista de ônibus urbano, com jornada de 43 horas semanais. No serviço rodoviário de passageiros, a média ficou em R$ 2.879,83 para a mesma carga horária.

Na prática, o valor fica abaixo de R$ 3 mil antes dos adicionais e varia conforme cidade, acordo coletivo e tipo de operação. A quantia é comparada com uma função que exige atenção constante, responsabilidade pela vida dos passageiros, cumprimento de horários, convivência diária com congestionamentos e exposição a conflitos dentro do veículo.

Os registros formais também revelam alta movimentação. No segmento urbano, ocorreram 58.549 admissões e 60.870 desligamentos em 12 meses. O saldo foi negativo em 2.321 postos, com rotatividade de 51%. Os números não mostram o motivo individual de cada saída, mas reforçam a dificuldade para manter motorista de ônibus no quadro. Os dados foram calculados com base no Caged.

O desgaste não se limita ao pagamento. Escalas divididas, trabalho aos fins de semana, pausas curtas, cobrança por pontualidade, calor, ruído e postura por horas tornam a rotina pouco atraente. Uma revisão de estudos brasileiros publicada em 2025 relacionou a atividade a impactos na saúde física, mental e cardiovascular, além de dores musculares e estresse nas relações do dia a dia.

Para preencher as vagas, algumas empresas passaram a formar cobradores, manobristas e funcionários de outras áreas, pagando cursos e apoiando a mudança da habilitação. A estratégia reduz a barreira de entrada, mas não resolve sozinha a permanência no cargo.

Na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 6533/25 propõe piso nacional de R$ 4 mil para motorista de ônibus coletivo em cidades e regiões metropolitanas com mais de 200 mil habitantes, considerando jornada de 44 horas. O texto ainda precisa avançar pelas comissões, passar pelo Senado e receber sanção antes de produzir qualquer efeito no contracheque. Enquanto isso, salários e benefícios continuam definidos por negociações locais, criando diferenças entre cidades, empresas e tipos de serviço no país.

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    Sobre o autor

    Um amante de veículos pesados devido grande influência do pai. Aos 7 anos de idade o seu maior sonho era ser motorista de transporte coletivo, no entanto, no ano de 2014 ingressou em uma empresa de transporte coletivo, como jovem aprendiz onde juntamente com seu amigo de trabalho fundou o Brasil do Trecho.