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Ferrovia

Transnordestina entra na reta final, mas últimos 26 km até o Pecém concentram obras complexas

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Transnordestina
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Depois de atravessar mais de mil quilômetros pelo interior do Nordeste, a Transnordestina se aproxima do Porto do Pecém, no Ceará, mas os quilômetros finais estão entre os trechos mais trabalhosos de toda a ferrovia.

A primeira fase do projeto liga Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, passando pelo entroncamento de Salgueiro, em Pernambuco. O corredor possui aproximadamente 1.061 quilômetros.

Conforme o traçado avança pelo Ceará, o cenário muda. A ferrovia deixa áreas mais abertas do interior e entra em uma região com rodovias, instalações industriais, terminais e outras estruturas já existentes próximas ao complexo portuário.

É justamente nessa aproximação que concluir a obra deixa de significar apenas instalar dormentes e trilhos.

Lotes 9 e 10 somam 97 quilômetros

No fim de 2025, os lotes 9 e 10, localizados na direção de Baturité e Aracoiaba, representavam uma das últimas grandes lacunas contratuais do corredor.

Juntos, eles possuem 97 quilômetros.

Com o início dos serviços nesses trechos, todos os lotes necessários para completar o caminho previsto até o Pecém passaram a estar contratados. Isso, porém, não significa que os 97 quilômetros já estejam concluídos.

Antes da circulação de trens, precisam ser executados serviços de terraplanagem, cortes, aterros, drenagem, pontes, viadutos e preparação da plataforma. Somente depois entram brita, dormentes, trilhos e demais componentes da via ferroviária.

Depois deles surge outro trecho menor, mas diretamente ligado à chegada ao porto.

Últimos 26 quilômetros são o Lote 11

O Lote 11 possui aproximadamente 26 quilômetros entre Caucaia e a região do Porto do Pecém.

Embora seja pequeno diante dos mais de mil quilômetros da primeira fase, esse segmento precisa conectar a ferrovia construída no interior ao sistema logístico existente na área portuária.

Uma vistoria realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres em fevereiro de 2026 apontou desafios técnicos principalmente relacionados à integração com os terminais e instalações do Pecém.

Isso significa que levar o trem até perto do porto não resolve sozinho a operação.

Para que as cargas realmente possam sair dos vagões e seguir para os navios, será necessário conectar a linha aos acessos, áreas operacionais e estruturas responsáveis por recebimento e transferência dos produtos.

Ramal ferroviário será parte da conexão

Outra peça do projeto é o ramal associado ao Terminal de Uso Privado da Nordeste Logística.

Em março de 2026, uma decisão da área ferroviária da ANTT complementou a declaração de utilidade pública necessária à implantação desse acesso dentro do trecho que segue em direção ao Pecém. A medida permite avançar nos procedimentos relacionados às áreas necessárias ao ramal, mantendo exigências de licenciamento e outras autorizações.

A ligação precisará fazer algo que a ferrovia principal, sozinha, não consegue: colocar os vagões dentro de uma estrutura preparada para receber e descarregar cargas.

O projeto portuário prevê viaduto ferroviário, ponte para descarga de minério e moega ferroviária destinada à descarga de grãos.

Apenas 26 km representam cerca de 2,5% da primeira fase

Os números ajudam a mostrar por que um trecho aparentemente curto pode demandar tanto trabalho.

Os 97 quilômetros dos lotes 9 e 10 representam pouco mais de 9% dos 1.061 quilômetros da primeira fase.

Já os 26 quilômetros do Lote 11 correspondem a aproximadamente 2,5% do corredor, mas concentram justamente a aproximação ferroviária com a região portuária.

Há também um trecho administrativo relacionado ao ramal compreendido entre os quilômetros 522+820 e 524+980, uma diferença aproximada de 2,16 quilômetros. O material ressalta que esse número representa a área abrangida pela decisão administrativa e não necessariamente todo o comprimento necessário para o ramal.

Terminal terá investimento de R$ 1,3 bilhão

O Terminal de Uso Privado ligado ao projeto possui investimento anunciado de aproximadamente R$ 1,3 bilhão.

A previsão apresentada é de movimentar cerca de 6 milhões de toneladas no primeiro ano, com capacidade podendo chegar gradualmente a 30 milhões de toneladas por ano.

A estrutura não será destinada somente aos grãos.

Também estão previstos minérios, fertilizantes, carga geral e contêineres, ampliando os tipos de produtos que poderão utilizar o corredor ferroviário até o Ceará.

Segundo o material, as obras do terminal começaram em junho de 2026. Nessa etapa estão previstas a ponte para descarga de minério, o viaduto ferroviário e a moega para os grãos.

Trem já percorreu 585 quilômetros em operação de teste

Parte da Transnordestina já recebeu circulação experimental.

Em dezembro de 2025, uma composição com 20 vagões percorreu aproximadamente 585 quilômetros entre Bela Vista do Piauí e Iguatu, no Ceará, durante uma operação de teste.

O teste mostra que determinados segmentos já possuem condições para circulação, mas não significa que o corredor completo até o Pecém esteja pronto.

Existe uma diferença entre concluir fisicamente a ferrovia, iniciar a operação dos trens e ter todas as conexões portuárias funcionando em capacidade comercial.

Ferrovia mira 2027, enquanto terminal tem operação prevista para 2028

O cronograma apresentado mantém a conclusão da primeira fase ferroviária no horizonte de 2027.

Já o início das operações do Terminal de Uso Privado está projetado para 2028.

Na prática, isso abre a possibilidade de a linha ferroviária alcançar a região portuária antes de toda a estrutura de transferência das cargas estar funcionando na configuração prevista.

Depois de mais de mil quilômetros de obras, a etapa final da Transnordestina não depende somente da distância restante. O desafio agora é fazer linha ferroviária, ramal, terminal e Porto do Pecém funcionarem como um único corredor logístico, permitindo que a carga produzida no interior chegue de trem e siga pelo transporte marítimo.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.