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Caminhoneiro

Por trás do volante, caminhoneiros enfrentam uma pressão psicológica por gestores.

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Quem olha um caminhão passando pela rodovia enxerga carga, prazo e destino. Dentro da cabine, porém, existe um motorista lidando ao mesmo tempo com trânsito, risco de acidente, horário de entrega, rastreamento, distância da família e a responsabilidade de transportar uma carga que pode valer centenas de milhares de reais.

Essa pressão não aparece apenas em relatos de estrada. Um boletim publicado pelo Ministério da Saúde em junho de 2026 aponta a saúde mental como uma questão relevante entre caminhoneiros brasileiros. Nos atendimentos da Atenção Primária analisados entre 2022 e 2025, foram registrados 21.167 atendimentos relacionados à saúde mental. O próprio documento chama atenção para os longos períodos que esses profissionais passam afastados da família e de suas redes de apoio.

A rotina ajuda a entender o problema. O Ministério cita jornadas prolongadas, prazos rígidos, isolamento social, estresse ocupacional e insegurança nas estradas entre fatores ligados à sobrecarga enfrentada pela categoria. O documento também menciona ações de cuidado relacionadas a ansiedade, depressão e uso problemático de álcool e outras drogas.

E existe uma pressão que não vem apenas do trânsito.

Motoristas podem passar o dia recebendo ligações sobre horário, mensagens do setor de logística, cobrança do cliente e acompanhamento constante do caminhão. Um estudo com 460 caminhoneiros encontrou entre os estressores mais citados o trânsito intenso, o controle por sistema de rastreamento e a jornada extensa de trabalho. Alta demanda, pouco apoio social e jornadas longas também apareceram associadas a problemas psíquicos entre os participantes.

Outro levantamento, feito com 565 caminhoneiros brasileiros, encontrou a jornada de trabalho como o estressor ocupacional de maior impacto no estudo. Motoristas expostos a esse fator apresentaram uma chance 5,41 vezes maior de apresentar transtornos mentais comuns dentro da amostra pesquisada.

É justamente aqui que entra uma discussão que o setor não pode esconder: cobrar resultado é uma coisa; transformar cobrança em humilhação é outra.

Motorista profissional precisa cumprir regras, cuidar do equipamento e respeitar horários dentro do que é possível e seguro. Da mesma forma, nenhuma meta de entrega deveria servir de desculpa para gritos, ameaças, xingamentos ou tratamento desrespeitoso.

Há ainda outro problema típico da profissão. O caminhoneiro muitas vezes enfrenta tudo sozinho. Está a centenas ou milhares de quilômetros de casa, dorme dentro do caminhão e nem sempre encontra alguém com quem conversar quando alguma coisa começa a pesar.

Um estudo com 400 caminhoneiros encontrou 58,5% relatando, de forma constante ou ocasional, sentimentos negativos como medo, estresse e depressão. Os pesquisadores também encontraram associação entre maior número de horas trabalhadas e problemas emocionais.

O caminhão pode carregar 30 ou 40 toneladas. Mas existe um peso que balança nenhuma consegue medir.

Falar de valorização do caminhoneiro também precisa passar por isso: salário e frete importam, mas respeito, descanso e tratamento digno também fazem parte das condições de trabalho.

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Sobre o autor

Nascido em Ceilândia e criado no interior de Goiás, sou especialista em transporte terrestre e formado em Logística. Com ampla experiência no setor, dedico-me a aprimorar processos de transporte e logística, buscando soluções eficientes para o setor.