Mulheres são minoria nos ônibus e salário de entrada pode ser 18% menor

As motoristas de ônibus mulheres ainda ocupam uma pequena parte das vagas disponíveis no Brasil. Embora seja cada vez mais comum encontrar uma mulher conduzindo um coletivo urbano ou rodoviário, os números mostram que a profissão continua dominada pelos homens.
Um estudo do projeto Transporte para Todas, elaborado pelo ITDP Brasil com informações da RAIS de 2019, identificou 223.226 vínculos formais de motoristas de ônibus urbanos e 72.364 de motoristas rodoviários. As mulheres representavam somente 2% dos empregos no transporte urbano e 1,9% no rodoviário. A proporção equivale a aproximadamente 5,8 mil vínculos femininos entre quase 296 mil postos analisados.
Os dados recentes de contratação indicam uma abertura um pouco maior, mas a distância ainda é grande. Entre junho de 2025 e maio de 2026, a participação feminina chegou a 4,3% nas novas contratações de motoristas de ônibus urbanos. Entre os profissionais de ônibus rodoviários, as mulheres alcançaram 5,1% no trimestre mais recente do levantamento.
A diferença também aparece no salário oferecido para quem está entrando na profissão. No transporte urbano, mulheres brancas receberam uma mediana salarial de admissão 10% menor que a dos homens brancos. Entre as mulheres pardas, o valor ficou 8% abaixo. As motoristas pretas tiveram resultado equivalente ao dos homens brancos nesse recorte, considerando apenas grupos com pelo menos 100 contratações.
No ônibus rodoviário, a distância foi maior. Mulheres brancas receberam 84% do salário mediano pago aos homens brancos, diferença de 16%. Para mulheres pardas, o pagamento ficou em 82%, uma redução de 18% no salário de entrada para o mesmo cargo.
A baixa presença feminina também pode limitar o acesso a escalas mais valorizadas, viagens longas e oportunidades de crescimento dentro das empresas. O estudo do ITDP aponta que as mulheres seguem pouco representadas nas funções tradicionalmente vistas como masculinas, apesar de ocuparem posições de direção, gerência e cobrança em proporções maiores.
Os valores salariais consideram somente admissões formais em período integral e o salário-base registrado no contrato. Horas extras, adicional noturno, diárias, comissões, benefícios e outros pagamentos não entram no cálculo. Por isso, a remuneração total pode mudar conforme a cidade, a empresa, a jornada e o tipo de linha operada.
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