Move Brasil tem bilhões para caminhões, mas caminhoneiro que mais precisa ainda esbarra no crédito

O Move Brasil foi criado para ajudar na renovação da frota e oferece condições que parecem boas no papel: financiamento de caminhões, prazo de até 120 meses e carência que pode chegar a 12 meses para caminhoneiros.
O problema aparece antes de pegar a chave do veículo. O financiamento continua sujeito à análise de crédito feita pela instituição financeira. Ou seja, participar do programa não significa que o dinheiro será liberado automaticamente.
Isso pesa principalmente para o caminhoneiro autônomo que roda com veículo antigo, tem renda variável, já possui dívidas ou não consegue comprovar uma capacidade de pagamento considerada suficiente pelo banco.
E os números ajudam a mostrar essa diferença.
Entre 30 de dezembro de 2025 e 18 de maio de 2026, operações com frotistas somaram cerca de R$ 9,4 bilhões dentro da linha de renovação de veículos pesados. Já a modalidade destinada aos transportadores autônomos registrou R$ 337 milhões, atendendo 625 clientes naquele período, segundo dados divulgados pelo BNDES.
A diferença não significa que o programa exclua o pequeno caminhoneiro. A linha reserva recursos para autônomos e cooperados e permite prazo de até dez anos. O ponto é que existe uma segunda porta depois das regras do governo: a aprovação do banco.
Até quem já possui outro financiamento pode tentar contratar, mas precisa passar pelos critérios de risco da instituição financeira. O Banco do Brasil informa que o crédito pode chegar a 100% do valor do veículo, desde que o cliente seja aprovado.
Na prática, aparece uma contradição: quem possui boa renda, histórico financeiro organizado e capacidade para assumir uma parcela tem mais facilidade para acessar o crédito. Já o caminhoneiro com caminhão velho, manutenção cara e orçamento apertado, justamente aquele que teria mais necessidade de trocar de veículo, pode encontrar maior dificuldade na análise bancária.
O Move Brasil conta atualmente com bilhões de reais destinados à renovação de caminhões e ônibus. A linha ampliada anunciou R$ 21,2 bilhões para veículos pesados, incluindo recursos específicos para transportadores autônomos e cooperados.
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